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ISSN (impressa): 1414-8145
Escola Anna Nery Revista de Enfermagem Escola Anna Nery Revista de Enfermagem
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Ministério da Educação
CAPES

Volume 21, Número 1, Jan/Mar - 2017



DOI: 10.5935/1414-8145.20170021

RELATO DE EXPERIÊNCIA

Atividades extensionistas, promoção da saúde e desenvolvimento sustentável: experiência de um grupo de pesquisa em enfermagem

Samylla Maira Costa Siqueira 1
Viviane Silva de Jesus 1
Elane Nayara Batista dos Santos 1
Maria Carolina Ortiz Whitaker 1
Brendo Vitor Nogueira Sousa 2
Climene Laura de Camargo 1


1 Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil
2 Faculdade Adventista da Bahia. Cachoeira, BA, Brasil

Recebido em 23/08/2016
Aprovado em 09/11/2016

Autor correspondente:
Samylla Maira Costa Siqueira
E-mail: smcsiqueira@hotmail.com

RESUMO

INTRODUÇÃO: A extensão universitária é uma forma de interação entre a universidade e a comunidade, e, a partir dela, é possível desenvolver atividades de promoção da saúde, a exemplo do desenvolvimento sustentável de comunidades vulneráveis.
OBJETIVO: Relatar a experiência de um grupo de pesquisa no desenvolvimento de atividades de extensão em enfermagem para a promoção da saúde e desenvolvimento sustentável de comunidades quilombolas.
MÉTODOS: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência acerca das atividades de extensão realizadas por um grupo de pesquisa em enfermagem nas comunidades de Praia Grande, Moreré e Monte Alegre, no estado da Bahia. Os participantes foram indivíduos na faixa etária de 12 a 25 anos, de ambos os sexos.
CONCLUSÕES: Dentre os principais resultados, destacam-se o desenvolvimento sustentável das comunidades e a troca de saberes entre estas e os estudantes de graduação participantes.


Palavras-chave: Promoção da Saúde; Desenvolvimento Sustentável; Enfermagem

INTRODUÇÃO

A extensão universitária é uma forma de interação que deve existir entre a universidade e a comunidade na qual ela está inserida, traduzindo-se como uma ponte permanente entre a instituição de ensino superior e a sociedade.1

Como parte da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, as atividades extensionistas constituem-se como uma possibilidade de as universidades exercerem sua autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, obedecendo ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, sendo este tripé o eixo fundamental da universidade.2,3

Embora estas três funções básicas da universidade devam ser equivalentes e receber igualdade de tratamento por parte das instituições de ensino superior, a extensão é, de certa forma, pouco explorada, visto que as atividades de ensino e pesquisa são mais evidenciadas e, no caso de cursos voltados para o cuidado humano como a enfermagem, há ainda as atividades de assistência.4

Por conta da tendência de privilegiar o modelo biomédico de ensino em detrimento da visão multidimensional, observa-se uma deficiência na formação de enfermeiros e outros profissionais de saúde no que tange ao aspecto multifacetário do cuidar, acarretando um distanciamento dos graduandos em relação às questões políticas, socioeconômicas e científicas, sendo priorizado o conhecimento técnico. Assim, são preparados profissionais para o enfrentamento dos desafios tecnológicos, mas pouco sensíveis ao uso social da ciência, ou seja, com pouca habilidade para aproveitar o conhecimento do senso comum na retroalimentação do conhecimento científico.5

Nesta perspectiva, é imprescindível o desenvolvimento de ações junto à comunidade, de forma a serem construídos novos e diferentes saberes, a partir da fusão do conhecimento popular com o científico,2 garantindo o intercâmbio de conhecimentos, o envolvimento com questões sociais e o desenvolvimento de ações de promoção da saúde a partir de um prisma holístico, onde as diversas visões de mundo sejam respeitadas.

Para que tal desafio saia do campo das ideias é necessária a realização de projetos de largo alcance social, voltados para públicos diversificados e que sejam planejados visando atender às reais necessidades da população-alvo, utilizando estratégias de captação de recursos financeiros e parcerias, sem que seja transgredido o princípio da educação gratuita nem que se enverede por uma ótica mercantilista.5

No desenvolvimento de práticas extensionistas, pode-se assegurar atividades de promoção da saúde na comunidade a partir do engendramento de ações que visem ao desenvolvimento sustentável, que em localidades economicamente vulneráveis podem representar a diáspora da pobreza à acessibilidade, garantindo a promoção da saúde a partir da melhoria da qualidade de vida. Ademais, sustentabilidade e desenvolvimento social estão estreitamente ligados à saúde, sendo fundamental o aproveitamento de recursos naturais locais para promover o desenvolvimento socioambiental, o combate à pobreza e a emancipação social a partir da aplicação dos saberes populares na busca de soluções para os problemas enfrentados.6,7

Dentre as comunidades caracterizadas como econômica e socialmente vulneráveis, apesar de geralmente favorecidas pelos potenciais naturais onde vivem,6 pode-se citar as remanescentes de quilombos. Definido como grupo étnico-racial, com presunção de ancestralidade negra, com trajetória histórica própria e dotado de relações territoriais específicas, este estrato populacional possui amplo acervo cultural referente à herança africana,8,9 o que determina a existência de conhecimentos populares que podem ser aproveitados para o desenvolvimento sustentável destes indivíduos, principalmente quando socializados com acadêmicos de diversas áreas do saber, permitindo à universidade receber influxos positivos em forma de retroalimentação por meio do aprendizado com os saberes destas comunidades.1

Considerando a relevância de empreender ações de desenvolvimento sustentável como uma forma de promoção da saúde em comunidades vulneráveis, faz-se necessário compartilhar a experiência de um grupo de pesquisa em enfermagem na realização de atividades extensionistas em comunidades quilombolas, buscando divulgar à comunidade acadêmica e científica outras perspectivas de práticas de extensão que não aquelas de cunho assistencial, geralmente desenvolvidas no curso de enfermagem. Ademais, considerando-se a escassez de estudos acerca de atividades de extensão em enfermagem com foco na promoção da saúde a partir do desenvolvimento sustentável, este estudo tem caráter inédito do ponto de vista científico, contribuindo para o fortalecimento da extensão no campo da saúde.

Assim, emergiu a seguinte pergunta de pesquisa: qual a experiência de um grupo de pesquisa no desenvolvimento de atividades de extensão em enfermagem para a promoção da saúde e desenvolvimento sustentável de comunidades quilombolas?

Dada a relevância do assunto e na perspectiva de refletir sobre a relação entre ensino, pesquisa e extensão, este estudo tem como objetivo relatar a experiência de um grupo de pesquisa no desenvolvimento de atividades de extensão em enfermagem para a promoção da saúde e desenvolvimento sustentável de comunidades quilombolas.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente às atividades de extensão realizadas por um grupo de pesquisa em enfermagem durante um período de 10 anos, com a finalidade de promover a saúde e o desenvolvimento sustentável de comunidades vulneráveis por meio da implantação de tecnologias sociais (Figura 1).

Figura 1. Roteiro da extensão. Brasil, 2016.

O estudo foi realizado nas comunidades de Praia Grande (Ilha de Maré), Moreré e Vila Monte Alegre (Ilha de Boipeba). Participaram, aproximadamente, 900 (500, 300 e 100, respectivamente) adolescentes e jovens adultos na faixa etária de 12 a 25 anos, de ambos os sexos. Quanto aos discentes, integraram o projeto cerca de 400 alunos de graduação de diversas áreas de conhecimento (enfermagem, engenharias, arquitetura, nutrição, direito e psicologia), entre bolsistas e voluntários, além de 4 docentes.

Praia Grande está situada em Ilha de Maré, na cidade de Salvador-BA e foi certificada pela Fundação Cultural Palmares (FCP) como área remanescente de quilombo em 2005.10 Com uma população de aproximadamente 2500 habitantes, é uma das mais populosas comunidades da Ilha de Maré.11 Esta população vive da pesca, mariscagem, artesanato e da agricultura de subsistência.6

A infraestrutura da referida comunidade consta de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e duas escolas de ensino fundamental. Não existe rede de esgoto e a população convive com o mesmo a céu aberto.7 A maioria da população tem água encanada e luz elétrica.

Moreré é uma comunidade pertencente à Ilha de Boipeba, composta aproximadamente por 400 habitantes e distante 87 km da capital baiana. As principais atividades econômicas são a pesca e o turismo.6 Em um diagnóstico epidemiológico, realizado pelo grupo de estudos Crescer constatou-se que 5% das residências apresentam fossa séptica, 43% não possuem saneamento básico e sua população de maneira geral vive em precárias condições de habitação, alimentação e saúde.

Vila Monte Alegre é um pequeno povoado de aproximadamente 100 habitantes, localizado no centro da Ilha de Boipeba, entre Moreré e São Sebastião. É uma comunidade remanescente de quilombo e sua principal fonte de renda é a agricultura familiar.7 Sua população não tem serviço de esgotamento sanitário, nem água encanada. Em relação ao tipo de residência, 85% das habitações são de taipa. Tanto Moreré como Vila Monte Alegre tem apenas uma escola de primeiro grau e nestas comunidades não há serviço básico de saúde.

O presente relato de experiência é produto de um projeto multidisciplinar intitulado "Sustentabilidade: Desenvolvimento de Comunidades Quilombolas" aprovado em chamada da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sob o edital 23/2003. A instituição proponente foi a Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (EEUFBA), tendo sido respeitados todos os critérios éticos contidos na Resolução 466/12.

O projeto de extensão contou com um roteiro de organização, exposto na Figura 1.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Aproximação com o lócus de estudo

A EEUFBA, através do grupo de pesquisa Crescer, iniciou em 2003 sua articulação com as comunidades em estudo por meio de atividades de educação em saúde. A priori, buscou-se gerar entre os pesquisadores e as comunidades uma aproximação, processo que contribuiu para a identificação dos líderes locais, para o direcionamento mais efetivo das atividades a serem desenvolvidas e, do mesmo modo, para a convergência dos saberes científico e popular.12

Nossa primeira atuação foi através de um projeto de extensão intitulado "De olho na saúde da população de Moreré e Monte Alegre". Nesta atividade, identificou-se que um dos anseios da população era a busca de autossustentabilidade através do aproveitamento dos recursos naturais. Neste contexto, a própria comunidade avaliou que para a promoção da saúde era necessário algo que lhes possibilitasse a geração de renda. Dessa forma, sugeriram a formação de cooperativa de doces ou de reutilização de resíduos.

Em visita à Praia Grande, realizada pela equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM), da área de engenharia química, foi identificada a geração de importantes resíduos, os quais apresentavam potencial para a fabricação de placas acústicas, que poderiam ser utilizadas na construção civil.

Concomitantemente, foi identificado em Moreré que a fibra extraída da piaçava e já utilizada na fabricação de persianas artesanais também poderia ser utilizada na fabricação de dispositivos acústicos. Desta forma, tanto as persianas artesanais, como os dispositivos acústicos poderiam resultar em produtos de excelente comercialização no mercado nacional.

Em Vila Monte Alegre, a aptidão identificada se resumia à agricultura familiar.

Atividades Extensionistas Desenvolvidas

Nas três comunidades supracitadas foram desenvolvidas atividades simultâneas, cujas bases de conhecimentos estavam relacionadas a dois eixos temáticos: educação em saúde e tecnologias sociais na promoção da sustentabilidade.

A educação em saúde trata-se de uma estratégia que visa à elaboração de práticas educativas empregadas para ensinar a população a prevenir doenças e também promover a saúde a partir da conversão de determinantes sociais que favorecem o adoecimento em geradores de saúde.13

Como tecnologia social compreende-se os produtos, técnicas ou metodologias replicáveis desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem soluções efetivas de transformação social.14

A sustentabilidade é caracterizada como um fator de promoção da liberdade e da emancipação das coletividades e comunidades tradicionais,15 de forma a possibilitar o desenvolvimento sustentável, que é considerado pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD)16 como aquele que, sem comprometer as possibilidades das gerações futuras, consegue atender às necessidades do presente.

A partir do diagnóstico situacional realizado em consonância entre pesquisadores e comunidade, que permitiu o delineamento das ações para a promoção da saúde a partir do desenvolvimento sustentável, foram realizados encontros de abordagem teórico-prática com o intuito de capacitar os moradores das comunidades para o processo de fabricação dos produtos artesanais (Figura 2).

Figura 2. Etapas do desenvolvimento do projeto. Brasil, 2016.

Em 2005, com apoio do CNPq, por meio do Edital MCT/MMA/SEAP/SEPPIR/CNPq nº 26/2005, desenvolvemos nestas três comunidades o projeto intitulado "Promovendo Cidadãos: Cooperativa de Doces Caseiros", onde buscamos implantar a cooperativa de doces, utilizando as frutas típicas da região, de modo a atender aos anseios da população. Para tanto, a partir da mão de obra voluntária local, foram construídas duas cozinhas experimentais, em Praia Grande e Moreré, onde foram produzidos doces de banana na palha (especialidade das doceiras de Praia Grande) e cocada com doce de caju (especialidade de Moreré).

Neste projeto, as atividades de educação em saúde ocorriam durante a preparação dos doces, e a partir da utilização de didáticas diversas eram abordadas temáticas relacionadas à higiene ambiental, autocuidado, sexualidade, conservação de alimentos, dentre outros.

As atividades de extensão relacionadas ao ensino (Atividade Curricular em Comunidade - ACC) foram denominadas: "Tu me ensinas a fazer doce que eu te ensino a namorar", considerando que os estudantes de graduação aprendiam a fazer doces com a comunidade, ao passo que esta recebia orientações de educação em saúde, relacionadas principalmente à sexualidade.

Em 2010, com o apoio dos órgãos de fomento (CNPq e FAPESB) e com a mão de obra comunitária local, foi iniciada a construção de uma oficina em Moreré para a produção de dispositivos acústicos, persianas e artesanatos, elaborados com fibras da piaçava e do dendê. Neste mesmo ano, em Praia Grande, foi construída uma fábrica para a produção de placas acústicas com os resíduos fibrosos da cana brava, utilizados na produção de artesanato. Também neste ano, foi construída a cozinha experimental de Vila Monte Alegre.

As atividades relacionadas à promoção da saúde, desde os períodos iniciais do projeto, foram realizadas principalmente com crianças e adolescentes, cujas temáticas estavam relacionadas a: diagnósticos de saúde; diagnósticos ambientais; doenças prevalentes na população negra; saúde bucal; primeiros socorros; saúde escolar, dentre outros.

Neste direcionamento, os conteúdos foram desenvolvidos por meio de oficinas, tendo como instrutores professores da UFBA de diversas áreas, da UEM e profissionais de empresas especializadas em acústica (AUDIUM). As doceiras tradicionais das comunidades foram responsáveis pelo ensino da técnica de preparo dos doces. Os artesãos locais ensinaram a técnica de fabricação de persianas, a UEM foi responsável pela pesquisa sobre a fabricação de placas acústicas com os resíduos identificados em Praia Grande, e, posteriormente, pelo repasse dessa tecnologia para os participantes e a AUDIUM tem sido a grande apoiadora no aprimoramento e na comercialização dos produtos acústicos.

Desenvolvimento sustentável da comunidade a partir das atividades de extensão

Após a realização das atividades de educação em saúde, das capacitações e da construção das cozinhas experimentais, da oficina e da fábrica para produção de placas acústicas, persianas e outros artefatos artesanais, os integrantes das comunidades receberam orientações para produção profissional e comercialização dos produtos no estado da Bahia.

Diante disso, o processo de fabricação dos produtos, principalmente das placas acústicas, começou a ocorrer obedecendo alguns critérios técnicos-científicos, mas sem perder as características artesanais.

Das três comunidades, podemos afirmar que Moreré tem apresentado um desenvolvimento significativo, pois além da população ter aprendido a valorizar o conhecimento nativo, os artesãos locais passaram a ser mais criativos e empreendedores. A comercialização dos artesanatos e dispositivos acústicos produzidos contribuiu para o aumento da renda local, bem como para a promoção da autoconfiança e da saúde.

A cozinha experimental é utilizada principalmente no verão, onde são preparadas refeições para os turistas que ali se encontram. Estas atividades são organizadas pela Associação dos Moradores de Moreré e Monte Alegre (AMAMOS).

Em Praia Grande, o processo de produção das placas acústicas sofreu vários reveses (mecânicos e químicos) e somente no ano de 2016 as placas começaram a ser produzidas dentro do padrão de qualidade necessária. Este fato, apesar de ter frustrado as expectativas da população, não foi um impeditivo para que as atividades de educação em saúde continuassem ocorrendo e a população participando. Vários adolescentes nativos foram beneficiados com bolsas de iniciação científica Jr, sendo que alguns continuam acompanhando o processo de produção de placas, recolhendo os resíduos fibrosos utilizados pelos artesãos e, desta forma, protegendo o meio ambiente. A cozinha experimental é utilizada pela Associação Beneficente Educacional de Ilha de Maré (ABECIM).

Em Vila Monte Alegre, a cozinha experimental é utilizada por professores e escolares do ensino fundamental em algumas ocasiões, mas a população ainda não se apropriou do investimento realizado. Por ser uma comunidade mais fechada e ser a única que tem parteiras nativas atuantes, foi realizado um curso de atualização para as pateiras tradicionais e está sendo planejada uma feira de saúde para mobilização da comunidade. Em Vila Monte Alegre muito ainda terá que ser feito para que esta comunidade se beneficie de suas riquezas naturais e de seus potenciais humanos.

Os resultados oriundos das atividades extensionistas estão sintetizados na figura 3:

Figura 3. Distribuição das fábricas por comunidade. Brasil, 2016.

Além dos resultados observacionais supracitados, estão apresentados nas figura 4 e 5 os produtos das atividades extensionistas.

Figura 4. Inauguração, maquinário e produto final da fábrica de placas acústicas, Praia Grande, Ilha de Maré, Salvador - BA, 2016.

Figura 5. Produto final da fábrica de persianas e artefatos acústicos, Moreré, Cairu - BA, 2016.

CONCLUSÃO

As atividades de extensão em saúde desenvolvidas pelo grupo de pesquisa Crescer foram apresentadas com a finalidade de expor as iniciativas empreendidas por um grupo de profissionais e graduandos de diversas áreas junto com a população de comunidades quilombolas, introduzindo novas tecnologias através do trabalho cooperativo em redes sociais solidárias.

Este projeto resultou na construção de duas cozinhas experimentais, uma em Praia Grande e outra em Moreré, além de uma oficina e uma fábrica para a produção de artefatos oriundos de fibras naturais, sendo introduzidos novos polos voltados para o empreendedorismo e comercialização dos produtos desenvolvidos.

Acreditamos que o grande ganho deste projeto foi que adolescentes e jovens adultos tiveram a oportunidade de reconhecer outras formas de sustentabilidade, além da pescaria e da mariscagem, e de refletirem sobre várias questões de saúde durante a realização das oficinas. Ademais, os estudantes de graduação puderam trocar saberes com a comunidade, valorizando o conhecimento popular.

Atualmente, após seis anos de atuação, estas cozinhas vêm sendo readequadas para que a produção de doces atinja um nível de comercialização mais rentável e para que outras maneiras de aproveitamento de recursos naturais também possam ser introduzidas. A oficina de artesanatos e dispositivos acústicos funciona a contento e a produção de placas acústicas finalmente está atingindo um bom nível de qualidade.

Todas as atividades de promoção da sustentabilidade estiveram atreladas às de educação em saúde, com vistas não somente à geração de trabalho e renda, mas também à promoção da melhoria das condições de saúde das populações em estudo, bem como à capacitação de futuros profissionais de diversas áreas para atuarem em comunidades vulneráveis.

Consideramos que para promover a saúde e contribuir com a qualidade de vida em comunidades vulneráveis, é necessária a elevação de seus índices de desenvolvimento humano. Assim, faz-se necessário que as atividades extensionistas tenham como foco ações de educação em saúde, bem como o desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas para a construção da autonomia e fortalecimento da identidade das comunidades, assim como para a articulação entre elas, estimulando a troca de experiências e recursos variados, disponíveis e passíveis de contribuir para seu desenvolvimento sustentável.

Sugerimos que outras instituições de ensino superior promovam o intercâmbio de pessoas de diferentes comunidades e repliquem as tecnologias sociais aqui apresentadas para outras comunidades com potenciais naturais, como as de Praia Grande, Moreré e Vila Monte Alegre.

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