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ISSN (impressa): 1414-8145
Escola Anna Nery Revista de Enfermagem Escola Anna Nery Revista de Enfermagem
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Ministério da Educação
CAPES

Volume 21, Número 2, Abr/Jun - 2017



DOI: 10.5935/1414-8145.20170032

PESQUISA

Acuidade visual e desempenho escolar de estudantes em um município na Amazônia Brasileira

Lauramaris de Arruda Régis-Aranha 1
Francimara Holanda Moraes 2
Sanya Thaina Cristovam dos Santos 2
Nicolás Esteban Castro Heufemann 1
Waldeyde Oderilda Gualberto Magalhães 1
Rachid Pinto Zacarias 1
Adriana Beatriz Silveira Pinto 1


1 Universidade do Estado do Amazonas. Manaus, AM, Brasil
2 Secretaria Municipal de Barcelos. Barcelos, AM, Brasil

Recebido em 30/08/2016
Aprovado em 14/02/2017

Autor correspondente:
Lauramaris de Arruda Régis-Aranha
E-mail: laura_regis@hotmail.com

RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a deficiência na acuidade visual e sua associação com o desempenho escolar em escolares.
MÉTODOS: Estudo transversal realizado com 1.050 estudantes entre 05 e 17 anos de idade, da rede pública de ensino de Barcelos, Amazonas. O exame foi realizado na própria escola e com o auxílio da Escala optométrica de Snellen.
RESULTADOS: Dos 1.050 estudantes submetidos ao exame, 526 (50,1%) pertenciam ao sexo feminino. A frequência para baixa acuidade foi de 6,3% (66/1050). Entre os alunos avaliados, não houve diferença estatisticamente significativa em nível de 5% para acuidade visual e desempenho escolar (p = 0,223).
CONCLUSÃO: O estudo indicou baixa frequência para déficit visual nos estudantes da rede pública de ensino de Barcelos - AM. Apesar disso, aconselha-se a realização de ações voltadas à saúde ocular em toda rede pública de ensino, visando à prevenção e o tratamento precoce desses estudantes.


Palavras-chave: Acuidade Visual; Saúde Escolar; Educação em Saúde; Epidemiologia; Saúde Ocular

INTRODUÇÃO

A visão é responsável pela maior parte das informações sensoriais recebidasdo meio ao nosso redor.1,2 A integridade desse meio de percepção é indispensável para o ensino da criança.1 Os problemas visuais, uma vez não identificados, e sem o devido tratamento, podem comprometer a eficiência do processo ensino/aprendizagem, levando ao desinteresse, baixo desempenho escolar, desencadeando a evasão escolar.1,3,4

A Organização Mundial de Saúde estima ser de 153 milhões o número de crianças e adolescentes com deficiência visual por erros de refração não corrigidos, dos quais oito milhões são cegos (essa estimativa não considera os portadores de presbiopia). No contexto global, os erros de refração não corrigidos são as principais causas de deficiência visual em crianças e adolescentes.5

Com base no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, 23,9% da população brasileira possui algum tipo de deficiência visual, auditiva ou motora. Constatou, ainda, que 5,3% das crianças entre 0 e 14 anos apresentam deficiência visual.6

O Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Saúde estão realizando ações de prevenção e promoção da saúde visual dos estudantesda rede pública de Ensino. O Projeto "Olhar Brasil", lançado em 2007, prevê a atuação de professores, alfabetizadores e Agentes Comunitários de Saúde na identificação e na correção de problemas de visão dos educandos matriculados no Ensino Fundamental, nos jovens de 15 anos ou mais e em adultos do Programa Brasil Alfabetizado.4 O Programa Saúde na Escola (PSE) direciona para as equipes de Saúde da Família a realização de avaliação das condições de saúde das crianças, adolescentes e jovens integrantes dos quadros das escolas inseridas em seus territórios adscritos, sendo a Avaliação oftalmológica uma das ações de saúde previstas no âmbito do PSE.7

Há unanimidade entre os especialistas quanto à relevância da detecção precoce de problemas visuais, pois impedem graves problemas futuros, contribuindo para a prevenção de danos permanentes à visão.4,8,9 No Brasil, estudos apontam seremos problemas visuais precursores de dores de cabeça, tonturas, cansaço visual e olhos vermelhos entre os alunos da Educação Básica.4

Do ponto de vista de saúde pública, é muito dispendiosa a investigação de problemas oculares em crianças, por oftalmologistas, em exame de massa.8 O teste de Acuidade Visual pela Escala Optométrica de Snellen é um dos melhores indicadores da função visual, ante a desnecessidade de alto nível de especialização do examinador, dispensa treinamento prolongado do exami nador e não exige grandes esforços dos pacientes, ou mesmo de equipamentos sofisticados para compreensão.8,10,11 Com efeito, uma vez verificada suspeita de problemas oculares, o exame médico oftalmológico deve ser providenciado o mais breve possível,12 de modo a evitar maiores gastos, pois o custeio da Oftalmologia pelo SUS representa o terceiro maior orçamento por especialidade, sendo ultrapassado apenas pelo custeio da cardiologia e oncologia.13

A gama de estudos sobre a baixa acuidade visual na Região Amazônica é limitada, razão pela qual surge a importância da realização deste estudo, objetivando verificar a deficiência na acuidade visual nos estudantes do ensino fundamental da rede pública de ensino em Barcelos - Amazonas, zona urbana, bem como avaliar a associação desta com o desempenho escolar dos mesmos. Este estudo auxiliará na construção de um referencial epidemiológico, bem como gerará instrumentos de definição estratégicos, permitindo ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde ocular desses estudantes.

METODOS

Realizou-se um estudo transversal na cidade de Barcelos, interior do estado do Amazonas, onde o acesso se dá por meio de transporte aéreo ou fluvial. O município está localizado a 405 km da Capital, possui uma população de 25.718 habitantes, sendo 43,4% dessa população residente na área urbana.14 A rede de assistência à saúde conta com um hospital geral e quatro Unidades Básicas de Saúde. Apenas 62,88% dessa população é atendida pela Atenção Básica e conforme preconiza o Programa Saúde na Escola (2009) as equipes de Saúde da Família são responsáveis pela vigilância da saúde das crianças, adolescentes e jovens estudantes das escolas inseridas em seus territórios adscritos.15

Este projeto está inserido na disciplina de Estágio Rural em Saúde Coletiva da Universidade do Estado do Amazonas. A referida disciplina é obrigatória e envolve inclusive os acadêmicos finalistas do curso de Medicina, em cujo momento são realizadas atividades nos serviços de atenção básica à saúde em alguns municípios situados no interior do estado do Amazonas.

O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Amazonas por meio do Parecer Nº 197/2012. Teve início em novembro de 2012 e finalizado em dezembro de 2013, envolvendo estudantes com idade entre 5 e 17 anos, matriculados no ensino fundamental (1º ano ao 9º ano) da rede pública de ensino, residentes na zona urbana dessa cidade.

Excluiu-se desta pesquisa os alunos com idade superior a 17 anos, os que não apresentaram a autorização dos responsáveis (alunos ≤ 17 anos) e àqueles que não permitiram o exame (alunos ≤ 17 anos).

Por meio de um mapeamento da cidade de Barcelos-AM, como o município não possui escolas privadas, limitou-se a investigação ao número de escolas da rede municipal e estadual de educação, bem como a quantidade de estudantes matriculados no ensino fundamental, perfazendo um total de sete escolas (quatro escolas municipais e três estaduais) e 2.439 escolares (674 e 1.765 escolares da rede municipal e estadual de educação, respectivamente).

Concordaram em participar do estudo 1.050 (498 escolas municipal e 552 escolas estadual) de um total de 2.439 estudantes matriculados no ensino fundamental da rede pública de ensino, zona urbana de Barcelos, obtendo-se uma taxa de resposta de 43,1%.

Inicialmente, através de uma roda de conversa, todos os participantes do estudo receberam uma explicação sobre anatomia do olho humano, distúrbios de refração e orientação sobre a importância do diagnóstico precoce de distúrbios visuais. Em seguida, o exame de acuidade visual foi realizado por um grupo de acadêmicos do último ano do Curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas treinados por uma professora com expertise na área, participante da pesquisa. O processo de treinamento compreendeu uma carga horária total de 16 horas (teoria - prática), a fim de padronizar a técnica entre os 11 examinadores.4

Todo o exame foi realizado na própria escola, em uma sala de aula com boa iluminação e com o auxílio da Escala optométrica de Snellen, a uma distância de cinco metros, que tem como unidade de medida os valores de 0,1 a 1,0. Foram classificados como tendo Acuidade Visual (AV) normal escolares que apresentaram AV maior ou igual a 0,8 com ambos os olhos para todas as idades e estabelecendo-se como déficit de AV valores menores ou iguais a 0,7 com um ou ambos os olhos, seguindo a padronização do Ministério da Saúde.4,7

Neste estudo, o desempenho escolar foi medido por meio da média das notas do último ano letivo, sendo considerado satisfatório quando a média geral obtida foi maior ou igual a 70 pontos; regular quando abaixo de 70 pontos e até 60 pontos; e insatisfatório quando inferior a 60 pontos.16 Por se tratar de um município que não apresenta escolas particulares, como também Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,500, considerado baixo, optou-se em não coletar informações socioeconômicas.17

Neste trabalho, detectamos os escolares que apresentaram baixa acuidade visual no Município de Barcelos, nos aspectos de detecção precoce, sendo a Secretaria Municipal de Saúde informada da existência por meio de uma lista desses alunos para que recebessem a avaliação de um especialista e, caso necessário, tratamento adequado.

Todos os dados obtidos foram registrados em tabela Excel e avaliados estatisticamente no programa SPSS versão 20.0. Os dados foram apresentados por meio de tabelas. As frequências foram calculadas no SPSS e Intervalo de Confiança ao nível de 95% (IC95%). Foi utilizado o teste do qui-quadrado, de Pearson e Fisher para análise dos dados categóricos, sendo que o nível de significância fixado nos testes foi de 5%.

RESULTADOS

Dos 1.050 estudantes submetidos ao exame de triagem, 526 (50,1%) pertenciam ao sexo feminino. A frequência de baixa acuidade foi de 6,3% (66/1050), com IC95% (4,9% - 7,9%), sendo estes encaminhados para exame médico-oftalmológico.

A Tabela 1 mostra a relação entre baixa acuidade visual e as variáveis sexo (p = 0,662), tipo de escola (p = 0,665) e média de idade (p = 0,893).

Tabela 1. Distribuição da frequência dos escolares quanto ao sexo e tipo de escola de acordo com a Acuidade Visual em Barcelos, Amazonas, 2013
Variáveis n Acuidade p *
Baixa (< 0,8) Normal (≥ 0,8)
fi (%) fi (%)
Sexo           0,662
    Masculino 524 31 5.9 493 94.1  
    Feminino 526 35 6.6 491 93.4  
    Total 1.050 66 6.3 984 93.7  
Escolas           0,665
    Escolas Estadual 552 33 6.0 519 94.0  
    Escolas Municipal 498 33 6.6 465 93.4  
    Total 1.050 66 6.3 984 93.7  
Idade (Média ± DP) 1.050 11,2 ± 3,2 11,0 ± 2,9 0,893**

* Teste estatístico do qui-quadrado;

** Teste t-student;

fi: frequência absoluta simples; DP: desvio-padrão.

Tabela 1. Distribuição da frequência dos escolares quanto ao sexo e tipo de escola de acordo com a Acuidade Visual em Barcelos, Amazonas, 2013

Analisando separadamente os dois olhos, 46 estudantes (4,4%) apresentaram AV alterada no olho direito e 49 estudantes (4,7%) no olho esquerdo. De acordo com o resultado do Teste Fisher (p = 0,89), não houve diferença estatisticamente significante. Não há relação entre a acuidade visual entre os olhos direito e esquerdo (Tabela 2). Ao longo do exame, notou-se em 136 (13%) escolares alguns sinais e sintomas como: ardência, lacrimejamento, cerração, franzimento da testa, inclinação da cabeça, piscando, visão turva, presença de óculos, estrabismo e hiperemia.

Tabela 2. Distribuição dos escolares por idade de acordo com a Acuidade Visual em Barcelos, Amazonas, 2013
Idade n Olho Direito Olho Esquerdo
Baixa (< 0,8) Baixa (< 0,8)
fi (%) fi (%)
5 anos 04 0 0 0 0
6 anos 56 3 5.4 3 5.4
7 anos 93 3 3.2 8 8.6
8 anos 100 5 5 6 6
9 anos 100 8 8 4 4
10 anos 81 1 1.2 2 2.5
11 anos 94 3 3.2 3 3.2
12 anos 147 6 4.1 8 5.4
13 anos 134 5 3.7 4 3
14 anos 113 5 4.4 3 2.7
15 anos 63 4 6.4 2 3.2
16 anos 33 1 3 4 12.1
17 anos 32 2 6.3 2 6.3
Total 1050 46 4.4 49 4.7

p = 0,89 (Teste estatístico Fisher); fi: frequência absoluta simples.

Tabela 2. Distribuição dos escolares por idade de acordo com a Acuidade Visual em Barcelos, Amazonas, 2013

Na Tabela 3, tem-se a relação entre acuidade visual e a variável desempenho escolar (p = 0,223).

Tabela 3. Distribuição da frequência da Acuidade Visual dos escolares conforme desempenho escolar, em Barcelos, Amazonas, 2013
Desempenho escolar Acuidade Total
Baixa (< 0,8) Normal (≥ 0,8)
fi (%) fi (%)
Desistente/Transferido 4 5,4 70 94,6 74
Regular/Insatisfatório 43 7,4 534 92,6 577
Satisfatório 19 4,8 380 95,2 399
Total 66 6,3 984 93,7 1.050

p = 0,223 (Teste estatístico do qui-quadrado); fi: frequência absoluta simples.

Tabela 3. Distribuição da frequência da Acuidade Visual dos escolares conforme desempenho escolar, em Barcelos, Amazonas, 2013

DISCUSSÃO

A relevância deste trabalho se deve à inexistência de estudos relacionados à acuidade visual reduzida na cidade de Barcelos, Amazonas, propiciando uma conscientização de problemas que, uma vez diagnosticados e resolvidos, podem contribuir para a melhoria de qualidade de vida, do desempenho escolar, enfim, meios para não comprometer a efetividade do processo ensino/aprendizagem.3,4,8,18 A avaliação e a detecção de possíveis agravos oculares deve ser o mais precoce possível, já que quanto maior o atraso na determinação de problemas visuais, menores serão as chances de recuperação e correção do problema.16

Por ser um método simples da medida da acuidade visual, a Escala Optométrica de Snellen pode ser usada como instrumento de triagem precoce de problemas oftalmológicos, principalmente, em municípios com poucos recursos financeiros ou técnico-sociais.1,19 Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), essa avaliação pode ser realizada por Agentes Comunitários de Saúde, Enfermeiros, Auxiliares de Enfermagem, Professores, Alfabetizadores ou por qualquer outra pessoa, desde que adequadamente qualificada.7

Observou-se um déficit visual em apenas 6,3% dos estudantes examinados, porém, vale ressaltar que o estudo foi realizado somente em 43,1% dos estudantes da rede pública de ensino do município.

A prevalência de acuidade visual alterada foi maior no sexo feminino (6,6%), estando de acordo com o estudo em Curitiba (PR)18 e com o Censo Demográfico 2010.6 Diferindo dos achados de Pouso Alegre (MG), onde o sexo masculino foi maior.19 A maioria dos estudos indica possuírem as mulheres, em todas as regiões do mundo e de todas as idades, risco consideravelmente superior de serem acometidas de deficiência visual em relação aos homens, especialmente pela expectativa de vida superior e, naquelas sociedades com considerável redução do poder aquisitivo, em decorrência da limitação do acesso aos serviços de saúde.5

A baixa frequência de acuidade visual reduzida encontrada no presente estudo corrobora com os resultados de estudos similares, como os realizados em Londrina (PR) 17,1%,3 em Pelotas (RS) 15,1%,1 em Sorocaba (SP) 13,1%,20 em Manaus (AM) 7%,21 em Passo Fundo (RS) 10,9%,8 em Pouso Alegre (MG) 11,4%,19 em Curitiba (PR) 7,03%,18 e em Belo Horizonte (MG) 10,3%.9 De qualquer forma, sugere-se que programas de prevenção conjuntos das Secretarias de Saúde e Educação sejam reforçados, de modo a garantir contínuo declínio do déficit visual e consequente melhora da saúde ocular dos estudantes. Segundo o Ministério da Saúde, a escola é um ambiente favorável ao início e continuidade de programas visando à educação direcionada para a saúde entre crianças e adolescentes, valendo ressaltar ser de responsabilidade das equipes de Saúde da Família avaliar as condições de saúde das crianças e adolescentes integrados nas escolas existentes na circunscrição de atribuição da respectiva equipe de saúde.7

Neste estudo não foi encontrada associação entre acuidade visual e desempenho escolar, corroborando com o estudo realizado em Curitiba (PR), em 242 escolares de uma escola de primeira a terceira série do ensino fundamental, em que foi observada baixa acuidade visual em 7,03% dos estudantes examinados, sendo que, dos alunos avaliados, apenas um possuía notas abaixo da média (considerada C).18 Ainda que não se tenha encontrado associação, ressalta-se ser essencial a manutenção de uma boa saúde ocular no mundo escolar, sendo imprescindível a atuação estatal nesse aspecto.

Divergindo, outro realizado em 201 escolares, entre 8 e 10 anos, em uma escola pública no Município de Pouso Alegre (MG), 11,4% dos escolares apresentaram acuidade visual alterada, sendo que, desses estudantes, observou-se notas de matemática mais baixas do que aqueles sem déficit visual (p = 0,032).19 Outro estudo, este realizado em 161 escolares do terceiro ano do Ensino Fundamental da rede pública estadual e municipal do Município de Juiz de Fora (MG), observou-se baixa AV em 34,8% dos estudantes examinados, sendo que, desses alunos avaliados, 25% apresentaram desempenho escolar regular ou insatisfatório, ensejando a associação entre baixa acuidade visual e baixo desempenho escolar (p = 0,015).16 Em outro estudo realizado em 338 escolares de 4 a 15 anos de idade no serviço de Oftalmologia do Projeto Saúde é Cidadania/Ação Comunitária do Nordeste do Rio Grande do Sul, observou-se baixa AV em 20,1% dos estudantes examinados, sendo que a reprovação escolar foi encontrada em 28,1% das crianças, demonstrando que a baixa acuidade visual está associada à reprovação escolar (p < 0,001) e que a sua presença aumenta em aproximadamente três vezes a chance de uma criança reprovar na escola em pelo menos uma série (Odds ratio de 2,9, com IC 95% de 1,6 a 5,0).22 Portanto, diversos estudos apontam que escolares portadores de acuidade reduzida estão mais sujeitos ao baixo desempenho escolar e uma vez não tratada, poderá no futuro ocasionar limitações em sua vida profissional e social.16,18,19,23

Na Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, realizada pelo Ministério da Saúde em 2015, demonstra que no Amazonas é onde tem a maior diferença entre as médias dos alunos em relação a condição socioeconômica, tanto em português quanto em matemática. Barcelos por ser uma cidade do interior do estado possui características peculiares, sendo distante da capital e oferecendo aos alunos apenas escolas de ensino público. O atendimento preventivo em saúde é limitado as equipes da Saúde da Família, sendo necessária uma maior atenção na promoção de saúde e acesso aos estudantes necessitados de consultas especializadas. As sequelas da deficiência visual podem ser amenizadas ou até mesmo evitadas se forem detectadas o mais precoce possível.14,24

CONCLUSÕES

O estudo evidenciou déficit visual em 6,3% dos estudantes avaliados e não houve associação significativa entre baixa acuidade visual e desempenho escolar entre os alunos matriculados no ensino fundamental da rede pública de ensino de Barcelos, município do estado do Amazonas. Oportuno ressaltar que esse resultado avaliou 43,1% dos estudantes da rede pública de ensino do referido município.

Apesar disso, aconselha-se a realização de ações voltadas à saúde ocular em toda rede pública de ensino, visando à prevenção e o tratamento precoce desses estudantes.

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